A propósito dos excertos do manual de civilidade e etiqueta que têm surgido no Quartzo, lembrei-me de um livrinho que me ofereceram (que eu não compro porcarias destas) aqui há anos. Chama-se Manual de Civilidade para Meninas e tem uma capa cor-de-rosa bébé com uma borboleta - só que é da Fenda. O autor, Pierre Louÿs, nasceu em 1870 e morreu em 1925, sifilítico. A introdução do livro lança algumas pistas sobre as venturas, desventuras e tresventuras do autor, mas não vamos por aí. Digamos que, hoje em dia, não seria aceite na SIC Radical. Vamos, antes, por um pequeno excerto. Dizem que tem palavras chocantes, mas eu não sei, não percebo nada do que o senhor diz - eu não sou uma mulher casada, dessas coisas não percebo nada. Escolhi como tema as regras de civilidade para com o Presidente da República porque sim. A seguir vou pôr um post sobre outra coisa qualquer, como a previsão do tempo ou os dilemas da blogosfera, só para este não ficar no topo. Sim, que eu tenho uma reputação a defender.
Com o Senhor Presidente da República
Após terdes sido chamada a recitar um cumprimento ao Senhor Presidente da República, não deveis dizer-lhe ao ouvido, quando ele vem dar-vos um beijinho: "Vem a casa da mamã, que eu faço-te entesoar."
Mesmo que o reconheçais como velho cliente da casa de passe onde prostituis a boquinha, não lhe deveis chamar "bebezinho gordo" à frente da comitiva que o acompanha.
Tão-pouco deveis chamar-lhe "velho sátiro" reclamando-lhe cem mil francos de chantagem em troca da vossa discrição.
Porém, se ele vos mandar buscar em grande segredo e sobre vós se precipitar, a fim de saciar os seus instinos lúbricos, nada vos obriga a deixar-vos violar pelo chefe de Estado.
Se de livre vontade com ele vos deitardes, e se ele vos rogar que lhe façais chichi na boca, não deveis objectar-lhe que um tal acto seria indigno do respeito que lhe deveis. Melhor do que vós conhece ele o protocolo.
Podeis pedir ao Senhor Presidente da República uma madeixa de cabelo, como lembrança dos seus favores; seria porém leviano que lhe cortásseis a pila, a fim de a conservardes como recordação.
Se numa passeata nocturna encontrardes o Presidente da República bêbedo como um cacho, caído na valeta, mandai-o levar para a Assembleia, com as honras que o seu título exige.
Se porém acontecer que o Senhor Presidente da República morra de súbito, quando lhe estiverdes sugando o esperma, podereis contar o sucedido a toda a gente; disso já há precedentes.
Posted by galinhola at maio 30, 2004 10:52 PM