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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2005
Fuma
Sentada a comer uma sopa em silêncio e a pensar que por entre os livros, revistas e discos espalhados já só sobra espaço para o prato, a colher, o copo - uma pequena praia sobre a mesa que me serve de ancoradouro para a refeição nocturna. Gostaria de ver a mesa vazia, disponível, a mesa onde poderia pousar apenas uma maçã ou uma pedra redonda e lisa, um segundo prato para alguém que viesse. Um dia destes, é claro, hei-de arrumar isto.
Olho para a varanda através do vidro. Lá fora, ao frio, Pavese fuma, de gabardine beige com a gola levantada; de vez em quando, dá um passo para a esquerda, ou para a direita, olha talvez as casas do outro lado da rua. Fuma ainda, enquanto eu como a sopa e me deixo prender de vez em quando pelo brilho do fundo da colher. Já é tão de noite; é a hora a que Pavese fuma, a hora a que como a sopa.
E então penso: Pavese fuma, fumou alguma vez na vida? Espero que sim. Que pelo menos seja ele, enquanto termino a sopa.
publicado por galinhola às 23:16
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O demo, ainda à solta e agora com câmara de vídeo
Já está disponível no portal Fátima Virtual o vídeo das exéquias da irmã Lúcia (entre outros).
publicado por galinhola às 10:15
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O demo anda outra vez à solta
Depois de uma ou duas idas ao cabeleireiro das quais saí incólume, tentaram desta vez vender-me um champô para disciplinar o cabelo.
Vingança óbvia e mesquinha por eu ter dito que não queria fazer brushing.
publicado por galinhola às 10:13
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2005
Os cravos
Lia o bilhete que está na parede, baloiçava a esfera e ajeitava os cravos. Depois, ia-me embora.






Hans Holbein, Georg Gisze, mercador alemão em Londres (1532)
publicado por galinhola às 17:31
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005
Dizem-me todos o mesmo
O vendedor da revista Cais já não tem revista Cais - diz que está à espera do número 8 da revista Águasfurtadas. Isso, sim, vai render dinheirinho, vai dar para mudar de vida!, comenta.

O cauteleiro diz que não tem cautelas - está à espera do número 8 da revista Águasfurtadas.

O velhinho do Borda d´Água diz o mesmo. Aliás, até os romenos que tentam vender o Borda 'Água pelo dobro do preço dizem que esperam agora o número 8 da revista Águasfurtadas - e até lá, não há nada para ninguém.

E o homem das castanhas também. Parece que já está na gráfica, diz-me ele. E desta vez tem textos de Affonso Romano de Sant’anna (um dos melhores poetas
brasileiros vivos), Margarida Ferra, João Luís Barreto Guimarães,
William Blake (com tradução de Manuel Portela), Forugh Farrokhzad (uma
extraordinária poeta iraniana ainda por revelar em português), Moshe
Ha-Elion (com tradução de M.V. Andrade), Lourenço Bray, Paulinho
Assunção, Valério Romão, António Tavares Lopes, Regina Guimarães,
Saguenail e Jorge Mantas. Para além de inúmeros trabalhos de artes
visuais e o habitual CD Audio com obras de autores contemporâneos,
que, neste número, inclui ainda uma verdadeira preciosidade: duas
"Ostras", de Pedro Coelho.
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Sempre atento, o homem das castanhas. Diz que que foi o Rui quem lhe contou.
publicado por galinhola às 14:38
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2005
Os que ficam com o que abandonámos
À noite chegam os gatos. Sentam-se nas bancadas da piscina vazia, recolhem as patas e ficam a olhar o fundo azul, fosforescente e frio do luar.
publicado por galinhola às 23:49
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005
Agora, não
Agora, não chove. Mas deve estar para chover outra vez.
publicado por galinhola às 22:15
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Numa mão a espada, na outra
Escolheria o silêncio se fosse um silêncio puro. Uma coisa a sério, e não apenas o tempo passado a medir o silêncio, a espera inquieta por aquilo que virá quebrar o silêncio. Mas que digo eu: chove.
publicado por galinhola às 22:08
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The Thought Project
Em que é que esta gente anda a pensar? Uma colecção de 55 instantâneos mentais, por Simon Hoegsberg.
publicado por galinhola às 15:00
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2005
A efémera
E de repente, graças a um anúncio da Vodafone com uma espécie de libelinha, toda a gente descobre a sensação da fragilidade e efemeridade da vida, e a importância de aproveitar o momento e mai-não-sei-quê. Valha-nos a publicidade para as coisas realmente profundas.
publicado por galinhola às 18:21
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