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Terça-feira, 30 de Agosto de 2005
Em que outro livro um homem e o assassino do seu filho se olham, maravilhados com a beleza e grandiosidade um do outro?
Mas quando afastaram o desejo de comida e bebida,
foi então que Príamo Dardânida olhou maravilhado para Aquiles,
como era alto e belo. Pois na verdade olhá-lo era ver um deus.
E Aquiles olhou maravilhado para Príamo Dardânida:
fitou o nobre aspecto e escutou as suas palavras.

Ilíada, canto XXIV, v. 628-633 (trad. Frederico Lourenço)
publicado por galinhola às 23:29
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Príamo suplica a Aquiles que lhe entregue o cadáver de Heitor
"Pensa no teu pai, ó Aquiles semelhante aos deuses!
Ele que tem a minha idade, na soleira da dolorosa velhice.
Decerto os que vivem à volta dele o tratam mal,
e não há ninguém que dele afaste o vexame e a humilhação.
Porém quando ouve dizer que tu estás vivo,
alegra-se no coração e todos os dias sente esperança
de ver o filho amado, regressado de Tróia.
Mas eu sou totalmente amaldiçoado, que gerei filhos excelentes
na ampla Tróia, mas afirmo que deles não me resta nenhum.
Eram cinquenta, quando chegram os filhos dos Aqueus.
Dezanove nasceram do mesmo ventre materno;
os outros foram dados à luz por mulheres no palácio.
A estes, numerosos embora fossem, Ares furioso deslassou os joelhos.
e o único que me restava, ele que sozinho defendia a cidade e o povo,
esse tu mataste quando ele lutava para defender a pátria:
Heitor. Por causa dele venho às naus dos Aqueus
para te suplicar; e trago incontáveis riquezas.
Respeita os deuses, ó Aquiles, e tem pena de mim,
lembrando-te do teu pai. Eu sou mais desgraçado que ele,
e aguentei o que nenhum outro terrestre mortal aguentou,
pois levei à boca a mão do homem que me matou o filho."

Ilíada, canto XXIV, v. 486-506 (trad. Frederico Lourenço)
publicado por galinhola às 23:27
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pois um coração que aguenta deram os Fados aos homens
Fala Apolo.


"Mas é ao feroz Aquiles, ó deuses, que quereis favorecer:
ele a quem faltam pensamentos sensatos e um espírito
moldável no peito. Como um leão, só quer saber de selvajarias:
um leão que encorajado pela sua estatura e força e altivo
coração se atira aos rebanhos dos homens, para arrebatar a refeição.
Do mesmo modo Aquiles perdeu toda a compaixão e não tem
a vergonha que tanto prejudica como ajuda os homens.
Pode ser que outro tenha perdido alguém que amava:
um irmão nascido da mesma mãe ou então um filho.
mas depois de o ter chorado e lamentado sabe parar:
pois um coração que aguenta deram os Fados aos homens.
Mas este homem, depois de ter privado da vida o divino Heitor,
ata-o ao carro e arrasta-o em torno do túmulo do companheiro
amado. Só que nada obterá de mais belo nem de mais proveitoso.
Que contra ele nos não encolerizemos, nobre embora seja!
Pois ele avilta na sua fúria terra que nada sente."

Ilíada, canto XXIV, v. 39-54 (trad. Frederico Lourenço)
publicado por galinhola às 23:25
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O fantasma de Pátroclo aparece a Aquiles
"Tu dormes, ó Aquiles, e já te esqueceste de mim.
Enquanto era vivo não me descuraste; só agora que estou morto.
Sepulta-me depressa, para que eu transponha os portões do Hades.
À distância me mantêm afastado as almas, fantasmas dos mortos;
não deixam que a elas eu me junte na outra margem do rio:
em vão estou a vaguear pela mansão de amplos portões de Hades.
Dá-me a tua mão, com lágrimas te suplico; pois nunca mais
voltarei do Hades, após me terdes dado o fogo que me é devido.
Vivos nunca mais nos sentaremos longe dos queridos companheiros
a tomar decisões sozinhos, pois o destino odioso me devorou,
ainda que fosse o destino que me cabia desde que nasci.
(...)
Que os ossos de nós dois uma só urna acolha,
dourada e de asa dupla, que te deu tua excelsa mãe."

Respondendo-lhe assim falou Aquiles de pés velozes:
"Porque razão, ó cabeça amada, aqui te dirigiste,
e porque me recomendas cada uma destas coisas?
Tudo farei e te obedecerei como tu ordenas.
Mas aproxima-te de mim. Embora por pouco tempo,
abracemo-nos um ao outro no prazer do triste pranto."

Assim falando, estendeu os seus braços, mas não logrou
agarrá-lo. Como um sopro de fumo, o fantasma partiu
para debaixo da terra, balbuciando.


Ilíada</ii>, canto XXIII, v. 69-101 (trad. Frederico Loourenço)
publicado por galinhola às 23:23
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005
As grandes interrogações do homem
Por exemplo, esta do Jornal InfoManá, que me deram hoje:

'Quer que Jesus entre pela sala da sua casa a dentro?'
publicado por galinhola às 16:59
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Sábado, 27 de Agosto de 2005
Andrómaca lamenta o filho órfão
"O dia da orfandade separa a criança dos amigos da sua idade.
Anda sempre cabisbaixo, suas faces sempre sulcadas de lágrimas;
na sua necessidade o rapaz dirige-se aos amigos do pai,
puxando um pela capa e outro pela túnica.
Um dos que se apiedam dá-lhe a taça por instantes;
chega a humedecer os beiços, mas a boca fica seca.
E outro rapaz, cujos pais ainda vivem, escorraça-o do festim
à bofetada e com palavras humilhantes e insultuosas:
'Sai daqui! Teu pai não partilha do nosso festim.'
Choroso volta então o rapaz para a sua mãe enviuvada:
Astíanax, que anteriormente nos joelhos do pai
só comia o tutano e a rica gordura das ovelhas.
E quando sobrevinha o sono e parava de brincar,
dormitava no leito, nos braços da sua ama,
numa cama macia, seu coração saciado de coisas boas."

Ilíada, canto XXII, v. 490-504
publicado por galinhola às 19:22
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Andrómaca espera Heitor
                         No entanto a esposa de Heitor nada ouvira
dizer ainda. É que nenhum fiel mensageiro chegara
para lhe dar a notícia de que o marido estava fora dos portões.
Ela estava sentada ao tear no íntimo recesso do alto aposento,
a tecer uma trama purpúrea de dobra dupla e nela bordava flores
de várias cores. Chamou pelas servas de belas tranças lá na casa,
para porem ao lume uma trípode enorme, para que houvesse
para Heitor água quente para o banho quando voltasse da batalha.
Insciente! Pois não sabia ela que muito longe de banhos
o subjugara às mãos de Aquiles a deusa Atena de olhos garços.
Mas Andrómaca ouviu os gritos e os prantos vindos da muralha:
estremeceu-lhe o corpo e a lançadeira caíu ao chão.

Ilíada, canto XXII, v. 437-448
publicado por galinhola às 19:20
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A morte de Heitor
Assim dizendo, desembainhou a espada afiada,
que pendia sob o flanco, espada enorme e potente;
reunindo as suas forças, lançou-se como a águia de voo sublime,
que através das nuvens escuras se lença em direcção à planície
para arrebatar um terno cordeiro ou tímida lebre -
assim arremeteu Heitor, brandindo a espada afiada.
E Aquiles atiorou-se a ele, com o coração cheio de ira
selvagem, e cobriu o peito à frente com o escudo,
belo e variegado, agitando o elmo luzente
de quatro chifres. Belas se agitavam as crinas
douradas, que Hefesto pusera cerradas como penacho.
Como o astro que surge entre as outras estrelas no negrume da noite,
a estrela da tarde, que é o astro mais belo que está no céu -
assim reluziu a ponta da lança, que Aquiles apontou
na mão direita, preparando a desgraça para o divino Heitor,
olhando para a bela carne, para ver onde melhor seria penetrada.
Ora todo o corpo de Heitor estava revestido pelas brônzeas armas,
belas, que ele despira a Pátroclo depois de o matar.
mas aparecia, no sítio onde a clavícula se separa do pescoço
e dos ombros, a garganta, onde rapidíssimo é o fim da vida.
Foi aí que com a lança arremeteu furioso o divino Aquiles,
e aponta trespassou completamente o pescoço macio.
Mas a lança de freixo, pesada de bronze, não cortou a traqueia,
para que Heitor ainda pudesse proferir palavras em resposta.
Tombou na poeira. E sobre ele exultou o divino Aquiles:

"Heitor, porventura pensaste quando despojavas Pátroclo
que estariass a salvo e não pensaste em mim, que estava longe.
Tolo! Longe dele um auxiliador muito mais forte
nas côncavas naus ficara para trás: eu próprio, eu que agora
te deslassei os joelhos. Os cães e as aves de rapina irão
dilacerar-te vergonhosamente, mas a Pátroclo sepultarão os Aqueus."

Já quase sem forças lhe respondeu Heitor do elmo faiscante:
"Suplico-te pela tua alma, pelos teus joelhos e pelos teus pais,
que me não deixes ser devorados pelos cães nas naus dos Aqueus;
mas recebe o que for preciso de bronze e de ouro,
dons que te darão meu pai e minha excelsa mãe.
Mas restitui o meu cadáver a minha casa, para que do fogo
Troianos e mulheres dos Troianos me dêem, morto, a porção."

Fitando-o com sobrolho carregado lhe disse o veloz Aquiles:
"Não me supliques, ó cão, pelos meus joelhos ou meus pais.
Quem me dera que a força e o ânimo me sobreviessem
para te cortar a carne e comê-la crua, por aquilo que fizeste.
Pois homem não há que da tua cabeça afastará os cães,
nem que eles trouxessem e pesassem dez vezes ou vinte vezes
o resgate e me prometessem ainda mais do que isso!
Nem que o teu próprio peso em ouro me pagasse
Príamo Dardânio. Nem assim a tua excelsa mãe
te deporá num leito para chorar o filho que ela deu à luz,
mas cães e aves de rapina te devorarão todo completamente."

Moribundo lhe disse então Heitor do elmo faiscante:
"Na verdade te conheço bem e direi o que será; mas convencer-te
era algo que não estava para ser. O coração no teu peito é de ferro.
Mas reflecte bem agora, para que eu para ti me não torne
maldição dos deuses, no dia em que Páris e Febo Apolo
te matarão, valente embora sejas, às Portas Esqueias."

Assim dizendo, cobriu-o o termo da morte.
E a alma voou-lhe do corpo para o Hades, lamentando
o seu destino, deixando para trás a virilidade e a juventude.
E para ele, já morto, assim disse o divino Aquiles:
"Morre.O destino eu aceitarei, quando Zeus quiser
que se cumpra e os outros deuses imortais."

Ilíada, canto XXII, v. 306-366 (trad. Frederico Lourenço)
publicado por galinhola às 19:18
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005
A minha primeira leitura erótica
Foi n' O Meu Pé de Laranja Lima. Era a letra de uma música. O menino era apanhado a cantá-la e zangavam-se com ele:

Eu quero uma mulher bem nua
Bem nua eu a quero ter
De noite no clarão da lua
Eu quero o corpo da mulher


Na altura não percebi muito bem, e era estranho pensar num menino e numa mulher nua.
No filme, a música era triste, triste e muito bonita na voz frágil do menino. Ainda é.
publicado por galinhola às 18:49
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005
Escrito no verso de uma fotografia antiga
O freguês pede um serto regôr aqui neste trabalho, como vêi o colarinho tem uma ponta em cima do casaco e do outro lado uma ruga convém tudo no seu logar outro fundo e aleviar as sombras o melhor que possa

Olhando a fotografia, vê-se que todos estes retoques foram depois feitos como o freguês pediu.
publicado por galinhola às 22:11
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