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Terça-feira, 31 de Agosto de 2004
Amores de Verão: os figos
Um figo é uma das formas possíveis de começar um dia perfeito. São alguns passos até à figueira, sendo a manhã de Verão. Estão ainda frescos, a luz é leve e mal adere à pele baça. Um figo é uma conquista: se o comemos, é porque sobreviveu aos pássaros, às vespas, às formigas, aos insectos que nele depositam os ovos, depois lagartas a contorcerem-se no momento da suprema revelação. Abre-se o figo - macio por fora, húmido por dentro, mas não como uma boca, embora também no figo as metades se separem do centro para a periferia e com uma inércia própria da carne. Nos livros de ciências da escola havia desenhos de úteros como uma gota invertida e revestidos, por dentro, de uma camada espessa recheada de pequeno detalhes cuja consistência e cor eram um mistério. Assim como no figo, uma composição suspeita de filamentos rosados a terminar em pequenas pérolas amareladas, tudo coberto de um mel de sabor indefinível que em nada o tecido espesso e adstringente da pele deixava adivinhar. Mais um fruto concebido num delírio entre coisas com certeza muito sérias e consequentes, um fruto embrulhado em direcção ao seu próprio centro, escondendo, ávido, a humidade do Verão, o sol dos dias, que de fora nada faz prever.

O cultivo dos figos tem uma peculiaridade de que pouco entendo, mas que é interessante. Isto pelo menos no Algarve (não sei se por se tratar de algum tipo especial de figueiras) e segundo me explicaram algumas pessoas do campo. Para que os figos cresçam bastante e não apodreçam são pendurados no ramos da figueira pequenos cordões onde estão presos os chamados 'figos toques' (não sei se se escreve assim; soa pelo menos assim). Estes transmitem ao resto da árvore um pequeno insecto que entra nos frutos em formação e, por um processo que desconheço, garante uma colheita pesada e saudável.

Acaba-se o dia como se começou. Dentro de um figo acumulou-se todo o calor do dia.
publicado por galinhola às 14:23
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Revista de imprensa: António Lobo Antunes controla Zé Maria
O 24 Horas de hoje anuncia que o candidato ao Nobel está a acompanhar o tratamento de Zé Maria, o ex-BB, numa clínica de uma instituição de freiras.

Não havia um filme assim?
publicado por galinhola às 09:56
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2004
Modo citação: Anna Akhmatova, dois versos sustendo o corpo
Colei-me contra a terra seca e abafada,
Como contra o amigo, quando o amor canta.


(Anna Akhmatova, do primeiro poema de Motivos Épicos, tradução de Joaquim Manuel Magalhães e Vadim Dmitriev, em Poemas, ed. Relógio d'Água)
publicado por galinhola às 14:44
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2004
Passatempos de Verão: qual a sua personalidade pimba?
Todos temos, na nossa alma, um cantinho pimba. Mas que pimba é esse? O Epicentro preparou um teste que o ajuda a descobrir a verdade: faça-o e saiba quem é o artista pimba que vive dentro de si. Há quem lhe chame tudo aquilo que sempre quis saber, há quem lhe chame silly season. Nós (plural majestático), pimba! Pegue num papel e num lápis e anote a respostas que deu a cada pergunta. No final, a solução. E mai'nada!

1 - Qual dos seguintes adereços gostava mais de poder usar?
a - Bigode
b - Calções de cetim
c - Duas bailarinas (uma loura, outra morena)

2 - Qual a palavra mais adequada para rimar com 'coração'?
a - Manjericão
b - Traição
c - Vibram

3 - Qual o melhor título para um álbum de originais?
a - Agora é que são elas
b - Anel de enganos
c - Fruta de Verão

4 - Qual a sua citação bíblica preferida?
a - Mais fácil é a um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que a um rico entrar no reino dos céus.
b - Onde estiveste tu, Adão?
c - Faça-se luz.

5 - Que frase da sabedoria popular melhor se adequa à sua visão do mundo?
a - Ao menino e ao borracho põe-lhe Deus a mão por baixo
b - Mais cego é quem não quer ouvir
c - Nem o pai morre, nem a gente almoça

6 - Com que personagem dos desenhos animados mais se identificou?
a - Dartacão
b - Candy, Candy
c - Flash Gordon

7 - Com que personalidade histórica já morta gostaria de falar?
a - Barrabás
b - Gualdim Pais
c - Lady Di

8 - Qual o seu quadro de Van Gogh preferido?
a - Les Demoiselles d'Avignon
b - Adão e Eva no Jardim das Delícias
c - Susana no Banho

9 - Que personagem de David Lynch poderia ser o seu líder espiritual?
a - Um dos anões, qualquer um serve
b - O velhote de Uma História Simples
c - O cowboy de Mulholland Drive

10 - O dedo mindinho é...
a - Contando com a unha, o maior de todos
b - Complicado para pôr verniz
c - Já não tenho

11 - Qual o seu piropo preferido?
a - Ainda dizem que as flores não têm pernas...
b - Fiu, fiiiiiuuu...
c - Fazia-te um pijaminha de cuspo...

12 - Como trata(ria) a sua mulher (se tivesse uma)?
a - A minha maria
b - A minha senhora
c - A minha gaja

13 - Quem ficará para a história?
a - o Ambrósio
b - a Senhora
c - o Ferrero Rocher


Resultados:

Maioria de respostas a)
Quim Barreiros

Empate entre respostas a) e b)
José Malhoa

Maioria de respostas b)
Ágata

Empate entre respostas b) e c)
Ruth Marlene

Maioria de respostas c)
Iran Costa

Empate entre respostas a) e c)
Emanuel
publicado por galinhola às 12:38
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2004
Nunca há um Martin Parr por perto quando é preciso
Isto é tentador.
Isto, em verdade vos digo, apela ao Calvin que há em mim.
publicado por galinhola às 15:13
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Terça-feira, 24 de Agosto de 2004
Este Verão mantenha-se em forma
Olhando para o cotão do umbigo.
publicado por galinhola às 18:18
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2004
Haverá coelhos nas Berlengas?
Esta é uma dúvida que me persegue desde há cerca de 11 anos, quando li Alexandra Alpha. No romance, uma das personagens, um caçador, pintava quadros e quadros de coelhos a saltar nas Berlengas. Nunca percebi se tudo aquilo era fantasia, ou se os coelhos das Berlengas de facto existiam. Em Alexandra Alpha, nada é tão distinto da realidade nem tão íntimo dela que possa dar-nos segurança num tema desconhecido como este, de ilhas e coelhos. Assim, carreguei essa dúvida comigo durante anos; cheguei a perguntar a uma amiga, bióloga, que não soube também responder-me com certeza; e, de resto, não conhecia ninguém que já tivesse ido às Berlengas. Achava, por algum motivo, que não - que nas Berlengas não haveria coelhos, que essas Berlengas eram uma criação de um velho caçador que queria afastar-se do mundo, refugiar-se nesse bloco de terra e rocha com os seus coelhos, um paraíso incorruptível no meio do mar.

Entretanto, há poucas semanas li num guia de percursos pedestres em Portugal uma referência às Berlengas e, no capítulo da fauna, aos coelhos. Era, então, verdade? E este fim-de-semana fui, finalmente, às ditas, as Berlengas, elas também ainda meio irreais - mas lá estava a ilha, ao fim de quase uma hora de mar picado ( 'Hoje está calmo', dizia o dono do barco). Uns amigos meus garantiam-me também que tinham visto imensos coelhos da última vez que lá tinham estado. Estava finalmente nas Berlengas, já só faltavam os coelhos.

Pois bem - eu não vi coelhos nas Berlengas, e a dúvida permanece. Vi tocas e mais tocas, buracos no chão e nas encostas escarpadas, enxames de gaivotas indignadas, as lagartixas endémicas, carreiros de formigas; nadei por entre cardumes de peixes num mar de um azul e verde despudorados, uma água silenciosa e fria, vibrante, com fundos de rocha ainda riscada pela luz do sol (e as minhas mãos, também traçadas de luz, sobre as rochas, debaixo de água, e o brilho intocável dos peixes suspensos e bruscos à minha volta) - mas nada de coelhos. Nem um para desfazer o nó da dúvida no meu espírito. Digam o que disserem, nada me garante que todas estas confirmações de livros, amigos, etc., não são mais do que um plano universal para me convencer de que há coelhos nas Berlengas, uma conspiração cujos motivos desconheço. Eu não os vi, e não tenho maior fé no que me dizem amigos e guias do que nos quadros, de que apenas conheço a versão em prosa, dos coelhos saltadores das Berlengas. Era esses que eu procurava. Assim sendo, fico antes com o mar.


publicado por galinhola às 11:34
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2004
Zeitgeist: a derrota de Vasco Granja
O elogio que nos últimos tempos mais frequentemente ouço fazer a um filme de animação, sobretudo desde que começou a explorar-se cada vez mais as potencialidades da animação por computador, é: 'A animação é fantástica, aquilo parece mesmo real!' Essas pessoas deviam experimentar ver um filme que não seja de animação. Aí, incrivelmente, a sensação de realismo das imagens é brutal. Eu mesma já me deixei enganar algumas vezes.

O amadurecimento do público para a apreciação de uma determinada forma de arte e das evoluções desta parece não encontrar o seu paralelo quando outras formas de arte estão em causa. Não sei se alguém julga um retrato de Picasso pela sua verosimilhança (e não tenho ideia de que a pintura hiper-realista tenha tido um sucesso especial). Talvez isso tenha a ver com a maior ou menor juventude dessas formas de arte (é assim com a fotografia?); ou com a forma de divulgação que elas têm, e nomeadamente o seu grau de massificação; ou com a força que, em cada uma delas, tem a figura do autor face a todos os outros envolvidos. O que eu sei é que continuo a gostar mais das bolas de plasticina do Vasco Granja que dos cenários e do movimento dos filmes da Disney.
publicado por galinhola às 22:47
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2004
Quem tem pena do Ben Affleck?
Ontem decidi ir a um daqueles cabeleireiros modernaços (esqueci-me de avisar - isto hoje é conversa de gajas). Daqueles que parecem lojas de design, para variar um pouco dos estabelecimentos de bairro onde geralmente vou, com os posters meio rasgados e descoloridos na montra.

Um ponto prévio: eu DETESTO cabeleireiros. ODEIO ir ao cabeleireiro. Dentre as experiências de rotina a que tenho de me submeter, esta é sem dúvida uma das que mais me custa (não tanto quanto trabalhar, é certo). Estar no cabeleireiro é humilhante: a capa pelos ombros, o talãozinho enfiado no bolso, a franja puxada para a frente, as figuras idiotas com molas espetadas no alto da cabeça, a oscilação de cada vez que nos puxam o cabelo para um lado ou outro (e a insistência absurda em que mantenhamos a cabeça direita - mas COMO?). Há ainda coisas para mim inimagináveis, como rolos e secadores tipo capacete, papel de alumínio com madeixas espetadas, enfim, um desfilar de intimidades grotescas que dispensaria sequer ver não fosse o facto, inevitável, de o cabelo crescer.

A minha cabeleireira, ontem, era uma jovem moderna qb - a Sónia. Tratou-me pelo nome. 'Então, Ana, como vai cortar?'. O meu fraco domínio do vocabulário de cabeleireiro já tem provocado danos. Falam-me de coisas que eu não sei o que são, e tenho de dizer se quero ou não. Foi um momento triunfante quando há uns anos descobri que podia usar a palavra 'escadeado' para aquilo que antes explicava com gestos estranhos, os deditos a abanar, e cujo resultado dependia mais do gosto do cabeleireiro do que da minha descrição.

Vai fazer mise?
Quer pôr creme? (ah, sim, acho que creme é aquilo a que nós geralmente chamamos amaciador)
Ana, o que é que andamos a fazer, em termos de champô? (respondi com um 'Haaaaa... não percebi, desculpe, fazer o quê...?')
Quer fazer brushing? (esta é a minha preferida, porque lembra-me uma que perguntava se queriamos fazer broshing, o que, convenhamos...).

A Sónia era mais sofisticada do que é costume. Não a imagino a comentar, como a última a que fui, com um sorriso triste e condoído 'Ai, tenho tanta pena do Ben Affleck!'. A Sónia não teria pena do Ben Affleck. A meio do corte, eu já era 'Aninha'. No final, 'Depois escovas assim, que fica melhor.' Ia-me perguntando coisas importantes, como 'Tudo bem?'. Tudo bem. Ser míope tem a vantagem de que, do fundo do nosso cantinho nebuloso, está tudo bem, porque não se vê mesmo nada - não tive de sorrir ao cruzar o olhar dela, que para mim era apenas uma mancha escura sem destinatário; não sofri a tentação de observar a senhora da cadeira ao lado; e, claro, quando ela me perguntou se o corte estava bem assim, não consegui ver nada. Decidiu esticar-me o cabelo, já percebi que os cabeleireiros têm essa fixação de jardineiro a podar árvores, 'a ver se tiro este jeito aqui. Não sei se gosta...' Não respondi, porque a única resposta honesta era, é sempre: faça o que quiser, eu quando chegar a casa vou pôr a cabeça debaixo do chuveiro e fica tudo normal outra vez.

Depois veio o momento em que sacam de um qualquer frasco com um produto que não sei o que seja, colocam nas mãos, passam-me no cabelo (spray? gel? cera? óleo de castor?). Antes de eu ter tempo de gritar, laca (argh!). A essa altura, eu sou já uma mulher derrotada, e podem fazer o que quiserem. Uma coisa, porém, recuso terminantemente fazer: aquele gesto confrangedor e degradante de enfiar uma moedazita no bolso da bata da cabeleireira. Aquele sorrizito cúmplice do 'tome lá, minha querida'. Não retribuo humilhação com humilhação, não quero que pensem que ando a passar saquinhos com droga. Sou uma pessoa de bem. Volto daqui a seis meses.
publicado por galinhola às 12:55
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2004
Sabores de Verão: gelado de Racine
Pour qui sont ces serpents qui sifflent sur vos têtes?

(verso de Andromaque; este é um daqueles infelizes versos de que se abusa ao dá-los como exemplos de figuras de estilo nas aulas de língua e literatura; e eu, que gosto tanto dele. Num dia como hoje - Verão, eu a trabalhar - o som da aliteração pode ser de deslizamento para outro sítio qualquer. Ou então dêem-me - ah!, dêem-me já! - um gelado do Santini, pode ser nata e framboesa, ou coco e manga, ou então deixem-me aqui a ouvir Tom Waits, I can't wait to get off work, ainda que não vá ver my baby on Montgomery Avenue, mas desliguem telefones, email, e calem-se só um bocadinho. Só mais um bocadinho. Obrigada. Não sei se já vos disse, mas tudo isto me cansa.)
publicado por galinhola às 14:16
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