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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2003
Anti-Brasileira
Eu não gosto da Brasileira, pim!

Quando por acaso vou à Brasileira, sinto aquele embaraço próprio de situações que, não sendo da nossa responsabilidade, nos envergonham. As histórias de tertúlias, os fernandos pessoas e as grandes conspirações literárias são ruínas abandonadas, com lixo pelos cantos. À parte a decoração e uma memória plastificada do que este local já foi, nada na Brasileira merece que nos detenhamos um segundo que seja: a comida é fraca, o serviço é revoltante.

Os senhores da Brasileira (como de tantas lojas e cafés por esse país fora, aliás) conseguem fazer-nos sentir, no pior sentido, que estamos de visita à casa deles, pela intimidade abusiva, a roçar o desprezo, com que tratam tudo. Conseguem ser mestres na arte nacional de atirar com os pratos e as chávenas para cima do balcão ou da mesa, se possível provocando um movimento de rodopio que prolonga a estridência mais tempo do que demora tomar o café. Conseguem servir-nos sem nunca nos olharem, por vezes até continuando a conversa que estavam a ter com o colega que está ao balcão. Acredito, inclusivamente, que maltratam a nossa comida, e ninguém me convence do contrário.

Conseguem, de facto, despachar. Despachar serviço, despachar turistas, despachar trocos. O que não conseguem é servir os clientes, é dar à Brasileira a dignidade, a delicadeza e a civilidade que um sítio com aquela história e aquela arquitectura merecem. Confesso que evito ir lá, e evito levar amigos, visitas, turistas. Tenho vergonha, pronto. Os sítios não são feitos de memórias que se debitam de um roteiro, mas da sua capacidade de evocá-las, de destilá-las. Os bárbaros da Brasileira aproveitam-se das ruínas daqueles que inscreveram este café na pequena história da nossa civilização para ganharem uns trocos. E isso não se faz.

Já agora, não posso deixar de comentar a capacidade nacional para complicar uma experiência tão simples como ir a um café. Na Bénard, por exemplo, é preciso decidir:
1) se ficamos de pé ou nos sentamos;
2) consoante a opção tomada no ponto 1), vamos para a bicha do pré-pagamento ou para a mesa.

Mas porque não posso eu, afinal, dpois de pedir ao balcão, chegar à conclusão de que sempre quero sentar-me, e ser tão simples quanto isso? Imagino quem não esteja habituado e não fale a língua a tentar perceber porque é recambiado do balcão para a caixa, antes mesmo de comer; e porque não pode agarrar no café e na torrada que lhe deram ao balcão e sentar-se numa das mesas. Não tentem convencer-me de que isto é normal. Quando começarmos a achar que isto normal, estamos lixados. Às vezes acho que já estamos lixados.

Uma última nota: se há lugar que merece nota máxima pela qualidade do serviço, é a gelataria Haagen Dasz do Chiado (que entretanto está fechada, e espero que não seja para sempre). Simpatia, eficiência - vale bem o preço que se paga (e que não é muito diferente do da Brasileira, por sinal...). É o único sítio onde percebem, sem que tenha de insistir várias vezes, que se peço uma água e uma torrada a água deve vir de imediato. Porque se pedi uma água é porque tenho sede, e não faz sentido ficar a secar à espera da torrada. Juro, nunca precisei de dizer-lhes nada. A água tem vindo sempre, impecavelmente, antes de tudo o resto.

Servir bem e tornar um sítio que vive do público um lugar especial implica uma coisa em vias de desaparecimento, uma daquelas coisas antiguinhas que se deitam fora com a água do banho: gentileza e respeito. Algo desconhecido dos vários empregados de cafés e lojas que já me brindaram com comentários para os colegas do tipo 'Ai, já só falta uma hora para sair!'. Desculpe, eu vou já andando.
publicado por galinhola às 02:14
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