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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2004
Ah, fadista!
Esta noite há um concerto do Camané que eu não vou ver, e tenho pena. Se alguém me convence mesmo - e, para cumprir a tradição, me comove - na chamada nova geração de fadistas, é ele. Dá para ouvir qualquer coisa do CD Pelo Dia Dentro aqui.

Foi amor à primeira vista quando ouvi o Ela tinha uma amiga, com uma belíssima letra de José Mário Branco, que aqui deixo. Algumas entrevistas com Camané nesta página.

Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que era quem me atendia quando eu telefonava
Ela tinha uma amiga chamda Maria
A quem ela dizia para dizer que não estava
E quando eu insistia, e não desligava
Era sempre a Maria
Que me mentia e me consolava
E perguntava o que é que eu queria

Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que nunca sabia por onde ela andava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
De quem se servia quando me enganava
E quando eu lá ia, e não a encontrava
Era sempre a Maria
Que me dizia que ela não tardava
Que me jurava que ela voltaria

Quando eu ia buscá-la, e a gente saía
Era sempre a Maria que nos animava
Quando eu a convidava, e ela não queria
Era com a Maria que eu sempre dançava
E quando eu inventava uma melodia
Era sempre a Maria
Que me aplaudia, e ela não ligava
E eu ficava a cantar prá Maria

No cinema, no escuro, quando eu a beijava
Ela empalidecia, a Maria corava
Ela não me ligava e adormecia
E era com a Maria
Que eu conversava
E que eu ficava quase até ser dia

Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia pra dizer que não estava
Até que outro dia ela me telefonou
E eu disse: Maria...
E eu disse: Maria...
E eu disse: Maria...
E eu disse: Mari, vai dizer que eu não estou!
publicado por galinhola às 15:18
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