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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2004
Os dias de frio
Nos dias de grande frio a cidade fragmenta-se em quadrados cobertos de um pó frio e branco, uma limalha fina e aguda que adere à pele e se instala em redor dos ossos. As pessoas deslizam a ponta dos dedos ao longo das arestas geladas desses fragmentos, desses quadrados de ruas, de árvores desenhadas a carvão que os pássaros debicam. A sua superfície provoca arrepios, como passar a mão numa ardósia com restos de giz.

A cidade é composta pela quadrícula incerta desses fragmentos frágeis que as pessoas atravessam com dificuldade, e um vento muito forte bastaria para varrer para um canto, amontoados, os automóveis, as ruas, o fumo das castanhas, os cães enroscados à porta, as pedras soltas, os cachecóis e os rostos contraídos.

Se nos sentarmos num banco de jardim o tempo suficiente para que nós mesmos fiquemos presos a esses fragmentos de Inverno, também nós cobertos por uma leve camada de pó branco, então seremos capazes de ver (esse o nosso prémio) como tudo se move devagar sob essa poeira, como até a luz do sol prende os movimentos e distende até ao limite do suportável as vozes que atravessam a custo o ar apertado, vozes que evitam as árvores já inchadas do verde que há-de vir, vozes que regressam a nós, metálicas e afiadas pelas arestas transparentes do dia.
publicado por galinhola às 18:58
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1 comentário:
De Anónimo a 21 de Janeiro de 2004 às 00:27
Para mim, enquanto não surgir uma estalagmite da altura de um homem adulto em pleno Trocadéro, não se pode falar em frioaa
</a>
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