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Domingo, 8 de Fevereiro de 2004
Coisas que fascinam: almanaques
O que torna o almanaque uma coisa tão especial? Para já, é das poucas coisas deste mundo das quais ainda se pode dizer, sem hesitações, que são do arco da velha. É, literalmente, um objecto que inexplicavelmente sobrevive num mundo como o nosso.

Há qualquer coisa de comovente nos almanaques – nos seus propósitos de serem úteis e agradáveis. Mais que uma coisa útil, um almanaque é prestável - essa subtil diferença faz toda a diferença... O Borda d'Água apresenta-se como Reportório útil a toda a gente. Informa-nos de mil e uma pequenas coisas que mais ninguém nos diz - das ondas e marés, às feiras e mercados de todo o país, às tarefas agrícolas a levar a cabo em cada mês, à hora a que se põe o sol – tudo isto intercalado por charadas, chistes (vêem, só num almanaque encontramos ainda a palavra chiste…), provérbios, astrologia e o mais que ocorrer a quem quer que elabora estes espécimes.

Esse é o mistério maior – o da pessoa, ou pessoas por trás do Almanaque. Sinto que é obra de uma única pessoa. Não pode haver tantos sobreviventes. Alguém que toma por tarefa compilar um almanaque está, no seu recanto obscuro, a ordenar o futuro, o ano que há-de vir. É esse trabalho de arquitectura minuciosa do dia-a-dia que me fascina, também. Poucas coisas devem dar uma sensação de dever cumprido como terminar o almanaque do ano. Imaginar os leitores que, todos os dias do ano, irão ver o que lhes está reservado.

Posto isto, resta dizer que, embora o almanaque popular Borda d’Água seja o mais conhecido, há pelo menos um outro (e estou a excluir os mais sofisticados, como o Almanaque Bertrand, menos rústico, mais burguês) que vale bem a pena ser lido: chama-se O Seringador – Reportório Crítico-Jocoso e Prognóstico Diário. Quem mo deu a conhecer foi um vendedor do Borda d’Água, que me segredou ao ouvido, como quem fala de um vinho do produtor que só ele conhece, ‘Tenho aqui um muito melhor que o Borda d’Água, que é O Seringador…’ Infelizmente, é difícil encontrar, mas dizem-me da editora que poderei comprá-lo nas livrarias Lello. Por falar nisso, que é feito dos velhinhos que vendiam o Borda d’Água? Este ano ainda só o vi ser vendido por mulheres romenas que duplicam o preço de capa.

Para verem o que quero dizer com a superioridade de O Seringador face ao Borda d’Água, veja-se por exemplo a secção de Astrologia para o mês de Fevereiro:

Borda d’Água:

As mulheres nascidas em Fevereiro normalmente são muito bonitas; possuem excelente coração e beleza notável. São esposas exemplares e fiéis às pessoas amigas. A tendência de economia é um dos seus predicados.

Os homens nascidos em Fevereiro são ambiciosos e ardentes, mas sinceros nas suas afeições e nas suas palavras. Ainda que simpáticos, por vezes são impulsivos.


O Seringador, sobre o signo de Peixes:

O homem que nascer sob a sua influência será discreto, sábio e amoroso, de mediana estatura, venturoso no que empreender, e inclinado a viagens. Deve guardar-se muito de se exaltar, porque será contingente de demência.

A mulher será constante, sincera e liberal; deverá o seu bem-estar às suas qualidades pessoais.


Não posso terminar sem uma nota para a crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre o Borda d'Água, um texto já antigo que podem ler em A Causa das Coisas - crónica que o Alexandre me deu a conhecer. Tem uma recolha genial dos melhores momentos desse companheiro de todas as horas.
publicado por AG às 08:31
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2 comentários:
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2004 às 20:58
é giro lembrar as coisas que perduram =pisabel
(http://breathingtime.blogs.sapo.pt)
(mailto:isabelcoelho_eu@hotmail.com)
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2004 às 19:29
e então qual é a causa das cousas?Cândida
</a>
(mailto:mcasa86@hotmail.com)

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